Enfim, 1o dia de Quimioterapia. Agora só faltam mais 11 (ou 15, se der merda...). Sem enjôo, sem dores no braço, bons sinais.
Como assim, Marcog ? Que porra é essa ?
Pois é, macacada. Teve nego que ganhou bicicleta do Papai Noel, outras ganharam boneca, uns ganharam carrinho... e eu ganhei de presente de Natal um Linfoma_de_Hodgkin.
Nossa, coguito ? É grave ?
Bem, todo câncer acaba sendo grave. Segundo os médicos, amigos cujos conhecidos tiveram a doença, etc, é um dos mais tranquilos, com cura praticamente certa. Tá cheio de cara curado por aí contando a história.
Pô, legal... que sorte, não ?
Sorte, o caralho ! Sorte é não ter nada disso. Mas, fazer o quê... agora, vamos resolver mais uma dessas "bad beats" que a vida nos prega, e bola pra frente, pé na tábua, ficha no pano.
A vantagem é que hoje em dia o tratamento evoluiu, as alternativas de diagnóstico são infinitamente melhores (e caras bagaray), embora alguns efeitos colaterais chatos ainda permaneçam (nos próximos 15 dias tem careca novo na praça, fazer o quê...).
Cada um encara de um jeito. Tive o desprazer de receber a notícia no dia 23/12, e passei os dias seguintes cantarolando aquela musiquinha joinha dos Garotos Podres. Pô, que merda... sensação horrível de olhar pros velhos na noite de Natal, e não poder falar nada pra não estragar as festas de família.
Depois, vem aquela sensação de " - Ah, é ? Então tá, vem na minha... reraise A CASA em cima de você, seu câncer baralhão ! Sai fora, que esse pot de fichas da minha vida já é meu...". Afinal, se eu passar (meio que) ileso dessa, tiro meu atestado de NINJA, e meu livro ganha mais um pusta de um capítulo. Quando for desta pra uma melhor (lá longe...), vou olhar na cara do Satanás e vou dizer " - Toma, trouxa... demorou pra derrubar, hein ? Joga maaaal..."
No fundo, confesso que eu não tenho medo nem de morrer. Me considero um sujeito privilegiado, já fiz DE TUDO nessa vida (não, seus palhaços..."aquela" parte continua intacta ok ?), vivi intensamente cada um desses 34 anos até agora. O que mais me balançava, e me deixava pra baixo pra cacete nos primeiros dias, era ver a carinha dela.
É nessas horas que a gente percebe o quanto é abençoado nessa vida, e por quantas vezes nem se dá conta disso. Essa fatura fica pro Sujeito lá de cima, porque, por mais carinhoso, atencioso, bom "dono-de-casa" (e eu cozinho bagaray... falaí "Quase" ?) que eu seja, jamais compensará tudo o que ela já fez e tem feito. E eu pensava " - Meu, e se dá zica ? Como ela fica ??". Não gosto nem de pensar.
Agora, é tocar o barco, e esperar ansiosamente o momento oportuno de acender aquele Cohiba Maduro, abrir aquela garrafinha prometida de Blue Label, e celebrar a vida (ou o resgate dela)...
Agradeço de coração o apoio dos pais, sogros, avós postiços, irmãos, e principalmente os "truta quase-irmão" que tão sempre atrás de notícias e mandando energia positiva. Assim que possível, informo as novidades.